Agora, sobre os casos de amor, à moda do nosso prémio nobel
estava a ler o Expresso (ou foi na Visão?) enquanto almoçava ou jantava e deparei-me com a noticia de um tipo qualquer das marés vivas que editou um livro onde contava que tinha andado a comer (ou apaixonado, se nesta noticia há diferença) por uma das kennedys que bateu as botas num desastre de avião. a Kennedy em questão era casada com um dos kennedys e era um exemplo de perfeição para os americanos. tive consciencia então que na nossa sociedade a coisa é exactamente a mesma, e que um sinal de sucesso na vida é casar e viver em monogamia com a mesma pessoa até ao fim dos nossos dias, e que vários casos de amor na vida é um sinal claro de insucesso. "meu deus!", pensei eu enquanto trincava o bife e dava um golito na coca cola, "acabo de descobrir por um livro que não li nem nunca irei ler, escrito por um tipo que faz anuncios de cuecas para a Kalvin Klein, que sou um completo falhado".
a vida tem destas merdas: é muito perigoso ler enquanto se toma uma refeição.
por sorte não perdi o apetite, mas continuei a meditar nestas merdas do amor e da sociedade. o meu curriculum já soma dois divorcios e umas mãos cheias de casos amorosos que tiveram um fim. nunca na vida me tinha apelidado falhado, e sempre assumi um caso de amor como o fim desse amor. onde reside o sucesso, então? na arte de manter casos de amor que o foram, na sorte do amor convergir na mesma direcção ao longo do tempo, ou pura e simplesmente na manutenção do contrato do casamento?
perante a sociedade um tipo pode casar as vezes que bem entender. perante deus um tipo só se pode casar uma vez. ambas as situações agradam-me e relembram-me momentos felizes: agrada-me o primeiro casamento, pelo compromisso de um jovem, e agrada-me que perante deus eu tenha casado no momento em que estava no auge de um amor. agrada-me especialmente saber que até ao fim da minha vida eu serei casado perante deus com uma mulher que realmente amei. acho lindo, lindo, lindo.
mas agrada-me tambem saber que a vida está directamente ligada ao tempo, e que o tempo mexe-se sempre rapidamente. não conheci a Kennedy que se envolveu com o tipo das Marés Vivas, mas agrada-me saber que existem pessoas no mundo com capacidade para se envolver com outras. a tipa subiu imenso na minha consideração, embora tenha descido proporcionalmente na consideração do seu povo.
e meto um sorrisinho estupido nos lábios, relembro quem amei e amo, e deixo o amanhã em aberto.
posso ser um Cidadão Falhado, mas sou por certo um Punk muito Bem Sucedido.